Título: Ação Trabalhista: Como Funciona e Quando Buscar Seus Direitos
- Carlos Oliveira
- 23 de out.
- 3 min de leitura
Você sente que dedicou seu tempo e esforço a uma empresa, mas não foi tratado com justiça? Horas extras que nunca foram pagas, um ambiente de trabalho hostil ou uma demissão sem o pagamento correto de suas verbas são realidades infelizes para muitos brasileiros.
A boa notícia é que a lei existe para protegê-lo. A Ação Trabalhista é o principal instrumento que o empregado tem para exigir na Justiça o cumprimento de seus direitos.
Neste artigo, vamos explicar de forma clara o que é uma ação trabalhista, quais são os direitos mais comuns discutidos nela e por que você não deve ter medo de buscar o que é seu por direito.
O que é, exatamente, uma Ação Trabalhista?
Uma Ação Trabalhista (ou Reclamação Trabalhista) é um processo legal movido na Justiça do Trabalho. De um lado está o empregado (o reclamante) e, do outro, a empresa (a reclamada).
O objetivo é simples: cobrar judicialmente qualquer direito previsto na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) ou no seu contrato que não tenha sido respeitado pelo empregador durante ou após o término da relação de emprego.
Os 5 Motivos Mais Comuns para uma Ação Trabalhista
Embora cada caso seja único, a maioria das ações envolve alguns temas centrais. Veja se você se identifica com algum deles:
1. Horas Extras Não Pagas Este é um campeão de reclamações. Inclui não apenas as horas trabalhadas além da jornada normal, mas também:
Intervalos de almoço (intrajornada) não concedidos ou reduzidos.
Trabalho em fins de semana ou feriados sem a devida compensação.
Falta de pagamento do adicional noturno.
2. Verbas Rescisórias Incorretas No momento da demissão (seja ela pedida ou sem justa causa), você tem direito a valores específicos. Muitas ações ocorrem porque a empresa não pagou ou pagou errado:
Saldo de salário.
Aviso prévio (trabalhado ou indenizado).
Férias vencidas e proporcionais (com 1/3 constitucional).
13º salário proporcional.
A multa de 40% sobre o FGTS (em demissões sem justa causa).
3. Vínculo Empregatício (Falta de Registro em Carteira) Muitas empresas contratam funcionários como "PJ" (Pessoa Jurídica), MEI ou "autônomo" para evitar custos trabalhistas. No entanto, se na prática você tinha:
Subordinação (recebia ordens).
Pessoalidade (só você podia fazer o serviço).
Onerosidade (recebia um salário).
Não eventualidade (trabalhava de forma contínua). ...você era um funcionário. A Justiça pode reconhecer o vínculo e obrigar a empresa a pagar todos os direitos retroativos, como FGTS, INSS, férias e 13º.
4. Assédio Moral ou Sexual no Trabalho O ambiente de trabalho deve ser respeitoso. Se você sofreu humilhações constantes, cobranças vexatórias, metas abusivas, perseguição por parte de superiores (assédio moral) ou qualquer tipo de constrangimento de natureza sexual (assédio sexual), isso pode gerar direito a uma indenização por danos morais.
5. Adicionais (Insalubridade ou Periculosidade) Se você trabalha exposto a agentes nocivos à saúde (ruído, produtos químicos, calor excessivo) ou em condições de risco de vida (eletricidade, explosivos, segurança patrimonial), você pode ter direito a um adicional de insalubridade ou periculosidade, que aumenta seu salário base.
"Tenho prazo para entrar na Justiça?"
Sim, e isso é fundamental! O trabalhador tem um prazo máximo de 2 (dois) anos, contados a partir da data de término do contrato de trabalho, para iniciar uma ação trabalhista.
Ao entrar com a ação, você só poderá cobrar os direitos dos últimos 5 (cinco) anos de trabalho. Por isso, quanto mais você demorar para buscar ajuda após a demissão, menos tempo de contrato poderá revisar.
Por que preciso de um Advogado Especialista?
Embora a Justiça do Trabalho permita que o empregado entre com uma ação sem advogado (o chamado jus postulandi), essa prática é altamente desaconselhada.
O Direito do Trabalho é complexo, cheio de detalhes técnicos e prazos. Um erro em um cálculo ou um pedido mal formulado pode fazer você perder direitos valiosos.
Um advogado especialista na área trabalhista é o profissional que irá:
Analisar seus documentos (contracheques, contrato, mensagens).
Calcular exatamente o que lhe é devido.
Preparar a petição inicial com os argumentos técnicos corretos.
Representar você em audiências e defender seus interesses contra os advogados da empresa.
Conclusão: Não Tenha Medo de Buscar Justiça
Muitos trabalhadores têm receio de "processar a empresa", mas seus direitos são o resultado do seu suor e dedicação. A Ação Trabalhista não é uma afronta, mas sim o exercício da cidadania e a única ferramenta para reequilibrar uma relação que, muitas vezes, é desigual.
Se você acredita que seus direitos foram violados, não deixe para depois. Reúna seus documentos e procure um advogado trabalhista de sua confiança para analisar seu caso.

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