O Golpe da RMC: Como uma Dívida "Infinita" Pode Estar Escondida no Seu Benefício
- Carlos Oliveira
- 23 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Você é aposentado, pensionista do INSS ou servidor público? Já conferiu seu extrato de pagamento e notou um desconto fixo com a sigla "RMC" ou "Reserva de Margem Consignável"? Se sim, você pode estar sendo vítima de uma das práticas mais abusivas do mercado de crédito.
Muitas pessoas acreditam ter contratado um empréstimo consignado comum, mas na verdade, foram levadas a adquirir um cartão de crédito consignado sem o seu pleno conhecimento. O resultado? Uma dívida que parece não ter fim, onde os descontos mensais mal cobrem os juros.
Neste artigo, vamos explicar o que é o Golpe da RMC e o que você pode fazer para se defender.
O que é RMC (Reserva de Margem Consignável)?
Por lei, aposentados e pensionistas podem comprometer uma parte de sua renda com empréstimos consignados. A "Reserva de Margem Consignável" (RMC) é uma fatia específica dessa margem (atualmente 5%) destinada exclusivamente à contratação de um cartão de crédito consignado.
O problema não está na existência da RMC, mas em como bancos e financeiras a utilizam para enganar os consumidores.
Como Funciona o Golpe da RMC?
O golpe acontece de forma sutil e explora a falta de informação clara no momento da contratação. O cenário mais comum é o seguinte:
A Oferta: O consumidor (muitas vezes idoso) procura o banco ou é abordado por um correspondente para contratar um empréstimo consignado tradicional (com parcelas fixas e prazo para acabar).
A "Mágica" do Contrato: O banco, de forma deliberada e sem transparência, "empurra" um contrato de Cartão de Crédito Consignado com RMC. Eles liberam o limite do cartão como um "saque" (que o consumidor acredita ser o empréstimo).
A Dívida Infinita: Aqui está o núcleo do golpe. Diferente de um empréstimo comum, esse "saque" no cartão de crédito gera uma fatura. O desconto mensal que aparece no benefício (o "pagamento mínimo" da RMC) é usado para abater essa fatura.
O Problema: Esse pagamento mínimo, na maioria das vezes, cobre apenas os juros rotativos e encargos do cartão, e quase nada do valor principal que foi sacado. O consumidor paga, paga, paga, e a dívida principal mal diminui, tornando-se praticamente impagável.
Em resumo: você acha que pegou um empréstimo que terminaria em 72 ou 84 meses, mas na verdade está pagando o mínimo de um cartão de crédito que nunca solicitou, com juros altíssimos.
Como Saber se Você Foi Vítima?
O primeiro passo é investigar seus descontos.
Acesse o "Meu INSS": Entre no portal ou aplicativo "Meu INSS".
Tire o Extrato de Pagamento: Verifique seu contracheque mensal detalhado.
Tire o HISCON: Solicite o "Histórico de Consignações".
Procure as Siglas: Busque por termos como "Reserva de Margem Consignável", "RMC", "Empréstimo sobre a RMC" ou "Cartão de Crédito Consignado".
Se você encontrar esses descontos e não se lembra de ter desbloqueado ou solicitado ativamente um cartão de crédito (apenas um empréstimo), o sinal de alerta está ligado.
Fui Vítima do Golpe da RMC. O que Fazer?
Se você identificou essa prática, saiba que ela é considerada abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor, pois viola o dever de informação clara (Art. 6º, III) e configura "venda casada" (Art. 39, I).
Não se desespere. Siga estes passos:
Reúna Provas: Guarde seus extratos (HISCON), o contrato (se tiver) e qualquer material publicitário ou conversa de WhatsApp usada na negociação.
Tente Contato Administrativo: Ligue para o banco ou instituição financeira, anote o protocolo e exija o cancelamento imediato do cartão e o contrato do suposto empréstimo (para provar que você foi enganado).
Busque Ajuda Jurídica Especializada: A via administrativa raramente resolve o problema principal (a devolução do dinheiro). A melhor solução é procurar um advogado especialista em direito bancário ou do consumidor.
Através da Justiça, é possível pedir:
A nulidade do contrato do cartão de crédito;
O cancelamento imediato dos descontos da RMC;
A devolução em dobro de todos os valores pagos indevidamente (repetição de indébito);
Uma indenização por danos morais pelo transtorno e pelo abuso financeiro sofrido.
Conclusão
O Golpe da RMC é uma armadilha financeira que aprisiona milhares de aposentados em dívidas perpétuas. Verifique seus descontos, questione tudo e, ao menor sinal de irregularidade, procure seus direitos. Compartilhe esta informação para que mais pessoas possam se proteger.
(Disclaimer: Este texto é puramente informativo e não substitui a consulta a um advogado. Cada caso deve ser analisado individualmente.)

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